por Caique Gonçalves
A cada pincelada, cada poesia recitada, através de qualquer forma de arte, a essência da vida é retratada através da subjetividade e das mãos do homem. A complexidade e até mesmo sua aparente irracionalidade pode servir para estimular o cérebro, o raciocínio, desenvolvendo outras potencialidades no ser humano. A Universidade como um lugar que se destina a formação de cidadãos e profissionais de todas as áreas do conhecimento, não deve funcionar somente como uma forma de interação entre os seus alunos e o que lhes é ensinado na sala de aula. O seu papel social é mais abrangente, possibilitando que a discussão da cultura regional e da arte de uma forma geral irrompa o contexto acadêmico.
Localizada na Rua Silveira Martins, uma das mais movimentadas do bairro do Cabula, encontra-se o campus de Salvador de uma das maiores universidades do estado, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A instituição localiza-se numa ampla área, repleta de árvores, compondo um ambiente harmônico e tranqüilo. A UNEB desenvolve atividades e ações no sentido de intercambiar a arte com a função acadêmica, assim como a valorização e incentivando a cultura regional. Através de exposições, mostras, seminários, palestras, oficinas, cursos, dentre outros, a participação nesses eventos é destinado não só aos estudantes da universidade, mas a qualquer integrante da comunidade. A divulgação dessas atividades é feita na própria universidade através de murais, cartazes, panfletos, ou seja, a divulgação interna. Para o público externo, os eventos são informados através do site (http://www.uneb.br/) e da sua assessoria de imprensa.Nádia Hage Fialho, professora da UNEB e coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade, afirmou que as instituições de ensino públicas têm uma função que vai além da esfera educacional, seu objetivo é mais abrangente, que vai desde a conscientização da comunidade, incentivo a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. “No que concerne a cultura regional, a promoção de eventos culturais por parte da universidade avalizam não somente a sua importância no âmbito acadêmico, mas como também na formação do ser humano como um todo”, completa Nádia.
Geralmente os eventos são produzidos pelo Núcleo de Arte (NART) juntamente com a Pró-Reitoria (PROEX) da UNEB, como ocorreu com o I Salão de Novos, que consistia numa exposição de obras de arte de diferentes artistas plásticos já reconhecidos nacionalmente, a exemplo de Luiz Neto, Nilda Freitas e Glaucius Chaves, assim como de artistas baianos emergentes. De acordo com Simone Brandão, secretária do NART, que mesmo possuindo pouco conhecimento artístico, como ela própria salientou, afirmou também que os artistas baianos são muito pouco valorizados e o I Salão de Novos poderia funcionar como um incentivo para o aumento da produção artística no estado. A professora da UNEB e integrante do NART, Mônica Telles, acredita que além de funcionar como um apoio aos artistas locais, a exposição como foi promovida por uma universidade, possui uma grande significação no estreitamento dos laços necessário, das artes plásticas com a educação.

O artista plástico Jorge da Anunciação, 58, é curitibano, mas mora há 35 anos em Salvador. Ele acredita que a educação deve sempre caminhar junto com a arte e a cultura. “A arte por si só é algo complexo, muitas vezes incoerente e de difícil compreensão e é justamente essa busca pelo seu entendimento que faz com que as pessoas desenvolvam o raciocínio, o poder de observação e análise, a tônica de qualquer aprendizagem está em tentar entender elementos que inicialmente não se encaixam, a arte e a educação se complementam nesse sentido”.
Cultura negra
Como o campus de Salvador da UNEB está localizado na capital com a maior população negra do país, a instituição regularmente age na busca pela valorização e preservação da cultura negra, mas essa atitude não se restringe somente ao ambiente acadêmico, é necessário que atinja. a comunidade de uma forma geral. Ciente desse papel, a Editora UNEB lançou recentemente a coletânea infantil sobre a história dos Orixás, as publicações possuem uma estética bastante atraente ao público infantil, com várias ilustrações de características surrealistas. O autor da coleção é Fábio Lima, professor e mestre em Antropologia e doutorando em Estudos Étnicos Africanos. De acordo com ele, a cultura africana é bastante rica e complexa e é muito difícil
tornar de fácil compreensão para as crianças, talvez seja por isso que publicações nesse sentido se encontram com bastante dificuldade.
Róbson Couto, estudante do 5° semestre do Curso de Letras, 22 anos, acredita que a UNEB vem desempenhando um ótimo papel para a sociedade no que concerne à valorização da cultura regional, porém, segundo ele, a universidade peca na divulgação dos eventos, pois essa comunicação só se dá através de murais e do site da instituição. Mônica Fonseca, estudante do 2° semestre do Curso de Ciências Contábeis, 25, afirma que o corpo docente devia se preocupar em mobilizarem os estudantes, no sentido de participar de eventos culturais, ressaltando a importância de tais atividades para sua formação.
(novembro de 2006)
Arquivado em: CULTURA
