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Entre expectativas e tristezas

por Ithana Grasciela

Um senhor simpático, de estatura mediana, com alguns cabelos grisalhos, Seu Germano Hélio da Silva, 54 anos, síndico do shopping Tropical, abriu um sorriso de orelha a orelha ao falar do êxtase que sentiu quando este shopping foi aberto há oito anos. O boom dos mini-shoppings no Cabula, a cerca de dez anos, levou a construção dos shoppings Plaza, Tropical dentre outros trazendo alegrias e tristezas para quem investiu e acreditou num público que prestigiasse fielmente estes shoppings de bairro. Mais parece uma galeria do que um shopping. Um corredor rodeado de lojas pequenas de arquitetura uniforme, por uma academia e uma lanchonete, no final, compõe o único andar do shopping Tropical. Dois quiosques ao centro, banquinhos de concreto espalhados pelo corredor transmitem um ar de praçinha de interior. Alguns acham sua estrutura simples e precária, como é o caso de Agnaldo Batista, 43, freqüentador do shopping desde a sua abertura. “Não existe muitas opções de lazer como cinema, fast-foods, o estacionamento é pequeno e desconfortável”, disse.

 

Certos proprietários, como Dona Alda Alves e Seu Germano exercem também a função de vendedores das suas próprias lojas e falam da dificuldade de manter o estabelecimento aberto devido a pouca clientela que vai ao shopping. “Cada dia é uma luta, para vender algo é preciso muito pique e força de vontade”, afirma dona Alda. Já a academia e a lanchonete contam com serviço de funcionários e não reclamam da falta de clientes. “Prefiro vir nesta academia porque é mais próxima de casa e o atendimento é excelente”, diz Hiraildes Souza de Santana, 24 anos, moradora do Resgate há 20 anos e funcionária de uma vídeo locadora no Cabula.

Os shoppings de bairro surgiram para facilitar a vida das pessoas. Todavia, no início o interesse da população era maior em ir ao shopping por ser uma novidade no bairro. Com o passar dos anos as pessoas começaram a perder o interesse. “Eles surgiram com este intuito de facilitar a vida da população, mas hoje não se verifica isto na prática. O cotidiano e falta de variedade contribui para isto”, declara Seu Germano, proprietário de uma loja de calçados. Entretanto, apesar das dificuldades, ele cita bons momentos como o dia em que Margareth Menezes cantou no shopping durante o período de liquidações: “Era durante a época de promoção que fazíamos shows ao vivo aqui”, afirma.

Medo
Na época em que havia uma loteria neste shopping os assaltos eram comuns. O medo era constante entre vendedores, funcionários e clientes, afirma Seu Germano: “Vivíamos com medo de que ocorresse uma troca de tiros e algum se ferisse ou morresse”. “Hoje após o fechamento da loteria os assaltos diminuíram e a segurança aumentou”, afirma o policial Josivaldo Carvalho, 31.

Ao lado dos outros shoppings da Avenida Silveira Martins, o shopping Plaza atrai a atenção, não apenas pelo espaço físico, mas também por ter um número de pessoas maior do que os seus vizinhos, os Shoppings Conexão e Tropical. Uma farmácia, dois bancos, uma praça de alimentação com televisão, um parquinho, um cursinho de pré-vestibular, uma banca de revista e as lojinhas em tons rosa em forma de casas e o chão calçado de paralepípedos caracterizam de forma tênue o shopping.

O empresário Caio Preihs, 32 anos, escolheu o shopping Plaza para instalar o cursinho por causa da sua localização e também pela promessa de crescimento do bairro. Além de empresário, Caio é formado em direito, mas trabalha como professor de português e redação e explica a dificuldade de manter não só o cursinho, mas outras lojas devido ao elevado custo do condomínio e dos produtos. Segundo ele, o padrão deste shopping encontra-se acima das condições da grande maioria da população deste bairro. “A tendência é ele acabar fechando, o movimento gira em torno dos alunos do cursinho e do pessoal que trabalha na Telemar”, diz. A promotora de vendas Núbia Ferreira, 25, vai sempre ao shopping e concorda com o alto preço das mercadorias. “Apesar de sua boa estrutura e da multiplicidade de lojas, os produtos são muito caros para um shopping local”, afirma.

A diretora do departamento de Marketing do Plaza, Tatiana Castelo Branco, confirma a carestia dos produtos. “São realizadas pesquisas semestrais e percebe-se que os preços estão altos, mas não podemos interferir no preço dos produtos”, alega. Mas ela afirma que o shopping não vai fechar e que ele tem um público significativo de visitantes. “O shopping foi instalado para a comunidade se sentir próxima, algo que fosse para os moradores e proporcionasse o bem estar deles”, declara.

Mas nem todos acreditam numa crise, ou numa tendência ao fechamento dos mini-shoppings. “Este shopping é bastante freqüentado principalmente aqui na banca há um grande número de pessoas que a freqüentam cotidianamente”, afirma Dona Mery Andrade, 52 anos, que possui uma banca de revista no shopping Plaza desde que ele foi inaugurado em 2000. A dona-de-casa Sônia Silva, 51 anos, que freqüenta a banca há quatro anos elogia o tratamento dado a ela neste shopping. “O que me traz a ir aqui não é somente a praticidade por está perto de casa, mas também o jeito como as pessoas te recebem e a receptividade é muito maior do que a dada em grandes shoppings”, declara.

Personalidades
Pessoas que ganham notoriedade na mídia, como cantores, músicos e artistas em geral atraem a atenção de muitas pessoas quando vão aos shoppings para comprar, comer e se divertir. Dona Edilena que trabalhou na limpeza do Plaza não esquece a emoção de ter visto Daniela Mercury e Gilmelândia da banda Beijo. “Sai correndo para poder abraçá-las, peguei um pedaço de papel e pede uma caneta emprestada para registrar aquele momento”, fala relembrando da cena que presenciou.

Muitos preferem ir aos shoppings locais pela simplicidade. “Apesar de serem um empreendimento comercial, os shoppings em bairros simples tratam as pessoas com mais atenção e simplicidade ao contrário do que costumo ver comumente em shoppings localizados em bairros nobres em que as pessoas reparam muito a imagem, as roupas que você veste”, comenta a bioquímica Sandra Almeida, moradora da Mata Escura próximo ao Cabula, que visita semanalmente o shopping.

Serviços
Shopping Cabula Tropical
Endereço: Rua Silveira Martins, 272
Tel: (71)3431 7261
Shopping Plaza
Endereço: Rua Silveira Martins, 317
Tel: (71) 3387-0162; 3385-9952
(junho de 2005)