Quem pensa que domingo é dia de escola pública fechada se engana. Pelo menos essa não é a realidade da Escola de ensino fundamental e médio Márcia Meecia, localizada no bairro de Mata escura. Nesse dia, a escola abre suas portas para que sejam desenvolvidas diversas atividades culturais. A escola fica repleta de alunos, pessoas da comunidade e visitantes. São oferecidas para alunos da própria escola e todos da comunidade oficinas diversas como de teatro, dança, capoeira e outras. “É um verdadeiro processo de iniciação cultural”, define Walfran Santos, diretor da escola. De acordo com ele essa é uma tentativa de minimizar as desigualdades sociais e criar oportunidade ampliando as áreas de lazer.Até a Unesco reconheceu esse trabalho e premiou a escola com o título de inovadora por abrir portas para atividades culturais.
Tudo começou no ano de 1999, quando a antiga diretora Merileine Da Silva, juntamente com o pessoal voluntário criou o projeto escola aberta. Desde então essa idéia se tornou um modelo que foi implantado em várias escolas públicas e municipais de Salvador. Hoje, o Escola Aberta conta com o apoio dos governos estaduais e federais, Petrobrás e Unesco.
A rotina da escola muda aos finais de semanas, as cadeiras são retiradas das salas e ganham o pátio, elas servem de acomodação para o público. Agora os papéis se invertem, são os professores que estão sentados, observando atentamente a apresentação da peça de teatro protagonizada pelos alunos. Ao mesmo tempo acontece outras apresentações, rodas de capoeira. Também acontece exposições dos trabalhos feito pelos alunos das diversas oficinas.
Os alunos participam ativamente de toda a progromação, eles escolhem qual o curso querem fazer, podem optar em fazer quantas oficinas quiserem, não há nenhuma restrição. De acordo com Jéferson Santos (15) anos, aluno dos cursos de dança e teatro, desde quando começou a fazer o curso ele vem superando a sua timidez, um dos grandes problemas que enfrentava.Já Aline Freitas (17) anos, aluna do curso de corte e costura, pretende logo que concluir o curso ter uma renda que lhe dê a possibilidade de ajudar os seus pais no orçamento de casa.
Embora não tenha como precisar em números Walfran Santos afirma que cerca de 400 alunos já receberam certificações nos diversos cursos oferecidos pela escola. Quando indagado com relação a condição que os alunos do curso tem de conseguirem uma vaga no mercado de trabalho, ele afirma que antes de capacitar os alunos, os cursos tem a intenção de promover o crescimento pessoal, despertar neles o sentido de cidadania, só assim os alunos terão condição de brigarem pôr um lugar ao sol no mercado de trabalho.
De acorco com Walfran é preciso trabalhar a auto-estima dos alunos, quando ele descobre uma aptidão até então desconhecida se sente mais capazes. De acordo com Marcelo Anselmo um dos oficineiros os pais de alunos que também participam das oficinas vem mostrando um desempenho acima das expectativas.
Walfran Santos ressalta que todo o trabalho feito com os alunos vem se refletindo de forma positiva em seus rendimentos escolares. Dentre uma das novidades já esta em processo de consolidação a rádio da escola, com o projeto aluno locutor, de acordo com Rosenilda , a coordenadora do projeto, o aluno será o grande protagonista fazendo toda a seleção e musical e roteiros da rádio.
Atualmente a escola oferece 21 oficinas das quais 18 são financiadas e três são voluntárias. Os oficineiros voluntários recebem uma bolsa auxilio concedida pela Unesco para custear gastos com transporte e alimentação. Quem tiver interesse em prestar trabalho voluntário deve comparecer a escola e preencher um formulário para seleção que é encaminhado para a Unesco.
(novembro de 2006)
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