Hospital público modelo

Posted on 30/07/2007

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por Caique Gonçalves

Em meio a barracos e casas populares, uma construção destoa desse ambiente suburbano e simples da Estrada do Saboeiro, no bairro do Cabula, trata-se de uma imensa área, com cerca de 102 mil metros quadrados, somente ao passarmos pela guarita temos a real dimensão e magnitude do local. É praticamente uma cidade, ruas, ladeiras, dezenas de carros estacionados, o vai-vem de ambulâncias e táxis à espera de novos passageiros, ponto de ônibus e o intenso movimento de pessoas chegando, à espera nas filas ou indo embora. Algumas árvores, amendoeiras, coqueiros, não muitos, compõem o ambiente, algumas barracas de ambulantes, localizada perto do ponto de ônibus oferecem seus produtos àqueles que chegam ou estão a espera do ônibus. O que provoca toda essa movimentação num local isolado, fora do centro da cidade é o complexo do Hospital Roberto Santos que ocupa uma área de 32 mil metros quadrados, azulejado nas cores branco, azul e verde, no qual o prédio principal possui sete andares. Trata-se do maior hospital público do estado que atende diariamente de 450 a 500 pacientes. Da entrada ao prédio principal percorre-se uma distância de cerca de 200 metros, ao adentrar o local avista-se pessoas sentadas em cadeiras dispostas ao redor de aparelho de TV, enquanto outras tantas compõem quatro filas para receber informações sobre a instituição e permissão para visitar os pacientes e recebem um adesivo escrito “visitante” para que possam transitar pelas dependências do hospital.

Hospital público geralmente é sinônimo de falta de equipamentos, de leitos e infra-estrutura precária, porém o Roberto Santos surpreende a todos que o visitam pela primeira vez. José Carlos Cerqueira, 47, trabalha há vinte e sete anos na instituição, é coordenador de manutenção e aquisição de equipamentos médicos. Cerqueira é um negro de cabelos grisalhos, bem-humorado, se relaciona muito bem com todos os funcionários, por onde passa é reconhecido, cumprimentado, está sempre sorrindo, principalmente ao falar sobre a atividade que ele exerce no hospital, lugar que ele trabalha desde 1979, ano de inauguração do hospital, ajudou até a carregar os equipamentos para o interior do hospital. Todas as solicitações de compra e conserto de qualquer equipamento médico em todo o complexo hospitalar passa por suas mãos.

De acordo com ele, a instituição não enfrenta problemas de recursos, verba esta que vem do governo do estado, apesar da saúde ser municipalizada. “A prefeitura não está conseguindo alocar recursos suficientes para manter os postos médicos que possuem baixa complexidade, quem dirá um hospital como o Roberto Santos”, enfatiza Cerqueira. Só nos últimos 30 dias o hospital adquiriu um tomógrafo helicoidal. Com esse equipamento pode-se visualizar 60 imagens em 60 segundos de qualquer parte do corpo; 1 aparelho de raio-x ; um aparelho de raio-x portátil, seis ventiladores pulmonares, usados quando há casos de insuficiência respiratória, um aparelho de ultrassonografia colorido, que gera imagens, através de ondas sonoras, de estruturas internas do organismo; uma mesa de cirurgia elétrica com sistema de controle remoto, dentre outros.

Maristela Farias, 48, veio no hospital pra visitar seu filho que sofreu um acidente de moto, segundo ela o Roberto Santos é tão equipado e organizado que nem parece que é público. Visiane Almeida, 22, levou sua filha Renata de 3 anos que teve uma crise convulsiva à emergência pediátrica do hospital. “Aqui eu fico tranqüila porque minha filha além de ser bem tratada num vai estar num lugar onde não se misturam crianças e adultos”, afirma Visiane, referindo-se a emergência pediátrica, inaugurada há dois anos.
Enfermeira há 12 anos no hospital, Patrícia Almeida diz que o hospital vem conseguindo atender cada vez melhor a população e a infra-estrutura vem sendo melhorada constantemente, ela atribui essas melhorias à nova administração. “É constante vermos os diretores pelos corredores lutando pela resolução dos problemas, através do contato direto com os profissionais e isso é bastante motivador”, completa Patrícia.

O diretor administrativo do hospital, José Carlos de Carvalho Pitangueira, disse que o hospital, quando surgiu, não tinha o objetivo de atender a emergência, mas se consolidou no decorrer do tempo como uma referência no estado nesse sentido. O Hospital Roberto Santos possui o maior complexo de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) de toda a Bahia, com 109 leitos e 630 leitos em todo o hospital. A instituição é ainda referência no estado em obstetrícia de alto risco, infectologia, e possui um dos bancos de olhos mais conhecido do país.

De acordo com Cerqueira, o único problema no momento é a peça do ar-condicionado da emergência que queimou, mas já está sendo providenciada outra. “Por ser um hospital público, atende na sua maioria àquelas pessoas quem não tem dinheiro para pagar um plano de saúde ou um hospital particular, mas muitas pessoas de classe média alta utilizam os serviços do Roberto Santos”, completa Cerqueira.
(novembro de 2006)

 

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