Mercadinhos de bairro

Publicado em 30/07/2007

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por Larissa Souza

O bairro de Pernambués é bastante conhecido pelo seu show de seresta aos sábados, pela grande quantidade de motéis, pela sua localização, pelo número de moradores e pela sua dimensão territorial. Agora, são os mercadinhos do bairro que estão chamando atenção e movimentando a economia. Os mercadinhos ganharam proporções inesperadas. Em uma mesma rua podem ser vistos diversos, bem próximos uns aos outros e todos vendendo bem. O atendimento personalizado e a qualidade são atrativos, mas o que mais chama a atenção do consumidor é o preço. São aproximadamente 11 mercadinhos e os que mais se destacam são: Mercado Ideal, Supermercado Pernambués, Compre bem e Ponta do Sol supermercados. O comodismo de ficar mais próximo à residência e as surpresas que os pequenos proprietários preparam para os clientes tem colaborado para esse crescimento.

Nesses mercadinhos é encontrada uma grande variedade de produtos, como frutas, verduras, cosméticos, carnes, frangos, calçados, pães, bebidas, artigos de papelaria, produtos de limpeza, entre outros. Outra coisa que chama a atenção do consumidor é que, assim como nos hipermercados, quando os produtos estão perto de vencer o prazo de validade, os proprietários diminuem o preço do produto para que não passe o prazo e eles sejam jogados fora.

Segundo Neuza de Jesus, caixa do Mercado Ideal que tem três filiais no bairro, essa proximidade entre os estabelecimentos não afeta os lucros, pois eles se localizam em áreas diversas do bairro, que é muito grande e, além disso, ajuda os moradores, pois a grande maioria dos funcionários residem no bairro. Alguns mercados, como são bem menores que os outros, utilizam como mão-de-obra basicamente parentes e/ou amigos dos proprietários. Moradora do bairro e dona do Point das Baianas, Lúcia da Silva diz que abriu o estabelecimento há oito anos como solução para a falta de emprego. “Aqui trabalha eu e meu irmão e o que ganhamos dá para viver dignamente”, afirma.

“Sou compradora assídua dos mercadinhos, todos os dias compro alguma coisa, pois sempre que percebo estar faltando algo em minha residência”, diz Maria das Graças Estrela, 45.

Todos os estabelecimentos funcionam todos os dias da semana, das 7h às 21h, sendo que aos domingos e feriados funcionam até às 13h. Final de semana e feriado são os dias em que os mercadinhos recebem o maior fluxo de pessoas, pois são nesses dias que os trabalhadores têm tempo para fazer suas compras da semana ou do mês. “Faço as compras do mês no bairro e além de conhecer o dono do mercado, os preços são mais baixos e são aceitas todas as formas de pagamento como nas grandes redes de supermercados”, diz Douglas Magalhães, 24.

Nos mercadinhos são aceitos ticket alimentação, vale transporte, cheque e todos os cartões de crédito, com exceção do Hipercard, que é de uma rede de hipermercado. Com todos esses tipos de pagamento, aquela “história” de comprar e colocar na caderneta acabou, pois o fluxo de consumidor é muito grande e os proprietários não querem ficar no prejuízo devido à inadimplência.

Para afastar a concorrência e despertar o interesse do consumidor, eles fazem promoções no dia das crianças, dia dos pais, dia das mães ou até mesmo quando percebem que o movimento está fraco. Entre os itens sorteados estão ursos, bicicleta, conjunto de faqueiro, panelas de pressão, cesta básica entre outros. Para concorrer, o cliente deve comprar algo de um determinado valor, ganha o cupom e espera o sorteio.Irene Valeriana, 50, diz que quando há promoções de carnes e frangos nos grandes mercados ela “corre” para lá, pois os preços realmente são vantajosos, mas com relação a frutas e verduras ela prefere comprar no próprio bairro, pois sempre estão fresquinhos.

Nesses mercadinhos também são feitas entrega em domicílio. “Nosso carro está sempre preparado para levar o cliente com suas compras até sua residência”, explica Neuza de Jesus do Mercado Ideal. “Uma das vantagens de comprar em mercadinho de bairro é a localização, pois, como o mercado é próximo a minha casa, não é necessário gastar dinheiro com táxi ou ônibus”, diz Ângela dos Santos, 30.

Uma das novidades dos mercados são o guarda-volume. Antigamente eram usadas fichas presas às sacolas, mas agora estão disponíveis armários onde o cliente pode guardar seus bens e levar a chave. “Agora o cliente fica mais tranqüilo, pois sabe que seus bens não estão guardados com um simples pregador. A única coisa que não gostei é que, se perder a chave, o cliente tem que pagar R$ 3 para conseguir retirar os objetos do armário”, explica Joel Lopes, 60.

Segundo alguns funcionários, atraídos pelo preço, os clientes vêm da Pituba, Cabula, Saramandaia, Bonocô, entre outros. Muitas vezes, eles estão de passagem pelo bairro, visitando algum amigo ou parente, passa no mercado, gosta do preço e vira freqüentador do mercado.

Muitos moradores de Pernambués vivem do setor comercial com suas lojas, armarinhos, mercados entre outros. Assim, o comercio local vai se desenvolvendo suprindo as necessidades dos moradores e visitantes bairro. Chamando atenção com o atendimento personalizado, proximidade e atendendo a demanda local.
(novembro de 2006)

 

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