por Gabrielle Moutinho
Alguns anos atrás, para fazer compras era necessário ir às feiras, cada um com suas sacolas para levar as mercadorias. Até que sugiram os super, hiper, e os pequenos mercados como mais uma opção. As balanças deixaram de ser manuais para serem digitais e as sacolas que eram trazidas de casa passaram a ser sacos plásticos fornecidas pelos estabelecimentos. O fato de ter sempre algo de última hora faltando em casa, transformou os mercadinhos num grande destaque, graças a sua maior proximidade das residências e pelo preço muito mais accessível.
“Para abrir um estabelecimento como um mercadinho não é necessário se filiar a nenhum sindicato, porém muitos microempresários se filiam em busca de orientação na parte comercial, como de venda e compra de produtos, e auxílio também na área de recursos humanos, no caso de admissão e demissão de funcionários”, afirma o representante do Sindicato dos Mercadinhos, Carlos Alberto Ferreira e Silva. É o caso da microempresária Ana Cristina Moreira, 42, que está no mercado e sindicalizada há 20 anos, e diz manter seu negócio muito bem graças às orientações do sindicato. Para Ana Cristina, auxílio nunca é demais.Porém, nem todos os microempresários precisaram se filiar para obter êxito no seu empreendimento. Valdeck Velaz Freire, por exemplo, começou com o “Mercadinho do Povo”, localizado na Av. San Martin. Hoje já conseguiu transformar seu pequeno negócio em um mercado de médio porte, motivo pelo qual modificou o nome para “Mercadão do Povo”. Para Valdeck, “todo microempresário entra no ramo visando ampliar seus negócios, por isso, com ou sem sindicalização, o importante é agradar o público consumidor, pois este sim, é responsável pelo crescimento do mercado”.
Com o intuito de ampliar ainda mais as vendas, aumentar o lucro e satisfazer totalmente o cliente, muitos mercadinhos diversificam seu espaço e acrescentam serviços como mini açougue e padaria. “Assim o cliente não precisar desviar o caminho para comprar o que falta em outros lugares”, afirma o micro empresário Roberto Garrido, gerente do mercadinho Flor do Resgate, um dos mais antigos do bairro do Resgate.
Diferencial
Uma das grandes diferenças dos mercadinhos em relação aos supermercados, além da distância, é a aceitação de vale transporte e tickets, que posteriormente são trocados por dinheiro pelas empresas filiadas. “A aceitação desses vales facilita muito mais as compras, já que recebemos da empresa pela metade do preço e nas compras passam a valer quase cem por cento do seu real valor”, acrescenta a funcionária pública Maria das Graças Pires Silva, que realiza suas pequenas compras através do recurso de aceitação dos vales e tickets.
O critério para definir os preços dos produtos utilizados por esses tipos de estabelecimentos varia de acordo com a localização dos bairros. Os bairros de classe média, por exemplo, possuem uma notável diferença de valores, em relação às áreas mais populares. “Esta diferença pode chegar a 50 % do valor”, afirma a estudante de economia e pesquisadora da UFBA Maria Claudia Matinele Cardoso.
Com frutas, legumes, enlatados, carnes, leite, pães, entre outros produtos tanto alimentícios como de higiene e limpeza, os mercadinhos vão ganhando a preferência da clientela, que possui a comodidade de ter até cestinhas para comprar as mercadorias, além de ampliar o seu espaço para benefício dos clientes. “O negócio deu tão certo que cada bairro possui aproximadamente três a cinco mercadinhos”, afirma a funcionária do Sebrae Noemia Carvalho Teixeira, recicladora de micro-empresas, incluindo mercadinhos. Segundo a recicladora, os donos de mercadinhos estão entre os que mais se interessam pelo curso, já que estes visam aumentar ainda mais seu empreendimento.
Primeira opção
Com tantas opções, os supermercados vão sendo utilizados apenas para compras maiores, ou para produtos que não são encontrados nos menores estabelecimentos. A redução de clientes tem sido claramente notada, como tem observado Albertine Silva, que gerencia o Hiper Bom Preço, localizado no bairro do Cabula. Segundo ele, “é muito difícil ver consumidor comprando pouca coisa, a não ser que sejam moradores da proximidade”.
“Pode até ser que a quantidade e a variedade sejam bastante importantes numa compra, mas para quem deseja qualidade e bom atendimento não ficará a desejar, tendo um mercadinho por perto”, afirma Cássia Maria Martins, que acrescentou só fazer compras em mercadinhos, por não ter tempo de ir aos supermercados, já que trabalha o dia todo. Talvez o consumidor não encontre tudo o que espera, mas com certeza encontrará algo que esteja faltando. Afinal, em que casa nunca faltou açúcar, leite, manteiga, e precisou ir a um desses mercadinhos?
(junho de 2005)
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