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Música e meio ambiente

por Caique Gonçalves

Músico, empresário, agrônomo, pai de família, nordestino, essas são as várias facetas de Roberto Possidio, pernambucano de Petrolina, 41, casado há vinte e dois anos, pai de dois filhos, morador do bairro de Pernambués em Salvador. Ele se mudou juntamente com a família para a capital baiana em 1994, onde já havia estudado durante um ano e era o lugar onde sempre vinha passar as férias. Moravam em Juazeiro, no extremo norte da Bahia, cidade vizinha à Petrolina, separadas apenas por uma ponte. “Resolvi vir para Salvador para me dedicar à música e ficar mais perto do mar”, afirma Possídio.Desde pequeno sempre teve contato com a música, seu pai tocava violão na varanda de casa, principalmente nos dias em que faltava luz. “Eu achava muito bonito, mas ele não me ensinava nessas horas, pois eu não conseguia enxergar o instrumento” (risos) completa. Aos nove anos, na casa de um vizinho, observou ele tendo uma aula de violão, ficou prestando atenção nos acordes que ele tocava e foi correndo para casa procura do instrumento de seu pai. “Quando meu pai chegou em casa ficou bastante surpreso ao me ver tocando ‘A montanha’ de Roberto Carlos’, a partir daí nunca mais larguei o instrumento”, conta.

Na adolescência tocava com os amigos e era sempre chamado nos eventos da escola. Passou a tocar em barzinhos, boates, hotéis e eventos nas cidades de Juazeiro e Petrolina, como Carnaval e São João. Paralelamente à carreira musical, dedicava-se à faculdade de administração de empresas, porém não sentia grande entusiasmo com o curso. E achou que na agronomia poderia fazer um trabalho interessante, especializando-se na agricultura orgânica. “Na fazenda de meu pai, em Curaçá na Bahia, devido às dificuldades de mercado na época, não consegui apoio para implementar um sistema orgânico”, afirma Possidio.

No seu percurso musical Roberto Possidio teve a oportunidade de subir nos palcos com grandes artistas como Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Armandinho, além de conviver também com o circuito alternativo de Salvador. Possui uma empresa de sonorização de médio-porte. Sua primeira composição foi aos 14 anos, mas não deu prosseguimento. “Achava que minhas músicas estavam muito aquém das composições de músicos que eu gostava de ouvir como Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Novos Baianos, dentre tantos outros”.

A lembrança mais marcante que ele tem de sua infância é o quintal da casa de sua avó materna. “Dentro daquele quintal eu encontrava um universo de brincadeiras e mistérios” afirma. Do quintal da casa de sua avó avistava o rio São Francisco, brincava com animais, cachorros, tartarugas e coelhos, além de subir na goiabeira. De acordo com Possidio, esse ambiente permanece até hoje consigo, através de suas músicas que retratam preponderantemente o rio São Francisco, a natureza e a vida simples das populações ribeirinhas.

Atualmente Possidio é guitarrista do Bando Virado no Mói de Coentro, grupo de música nordestina que tem a proposta de difundir a cultura musical do nordeste, incorporando ritmos como o maracatú, o baião, o xote e o xaxado. Paralelamente ele desenvolve outro trabalho com a banda Zangaboa, no qual é vocalista e guitarrista, o grupo apresenta um repertório pop com influência da música nordestina, através de composições de Possidio e de releituras.

Além da carreira artística, Roberto Possidio desenvolve sua primeira atividade como agrônomo, desde que se formou. Atualmente ele é técnico ambiental. “Presto serviço na área de consultoria ambiental para duas mineradoras Capixabas com sede aqui na Bahia, através da elaboração de projetos de recuperação de áreas degradadas”, informa Possídio.

Ele conta que a música também teve participação para ele desenvolver essa atividade. De acordo Possidio, ele estava no aeroporto com seu instrumento esperando seu vôo quando uma pessoa veio falar com ele, querendo saber que instrumento era aquele, se tratava de um dos donos da mineradora que tinha a música como hobby , desde então se tornaram amigos. Após um ano e meio, Roberto foi convidado para exercer pela primeira vez uma atividade relacionada à sua formação acadêmica, atividade esta que vem desenvolvendo paralelamente à carreira musical. “Minha vida seguiu o caminho do rio”. completa.
(novembro de 2006)