por Vanessa Ive Pimenta
Pegar ônibus para a Paralela é uma tarefa difícil para os moradores do bairro do Cabula. É necessário disposição e coragem para enfrentar o desconforto e a lotação de pessoas nos ônibus e ainda ficar vulnerável a atrasos e transtornos. A estudante de marketing Ana Luiza França, que estuda nas Faculdades Jorge Amado, reclama que “os ônibus são muito lotados e pioram quando chegam em Narandiba, além de estarem atrasando ultimamente. Hoje, já vou chegar novamente atrasada na faculdade”. Apesar das dificuldades que os passageiros passam, a Superintendência de Transporte Público (STP) declara que não há planos para um aumento na quantidade de ônibus, pois causaria um aumento na tarifa de transporte. Na competição para ter um lugar para sentar ou, até mesmo, para servir de apoio, algumas pessoas se estressam, enquanto outras levam na esportiva. Como é o caso da vendedora Maria Reis, que por morar em Narandiba tem dificuldades de entrar no ônibus e, mesmo assim, leva o sorriso no rosto todos os dias: “Eu tento melhorar o ambiente sufocante do ônibus fazendo uma gracinha pra um, fazendo uma piada pra outro”. A vendedora declara que muitas vezes os ônibus, quando estão muitos cheios, não passam no bairro. “Hoje, eu tenho mais um motivo para estar sorrindo, o ônibus passou no horário certinho”, brinca Maria.
Os dois únicos ônibus destinados para a Paralela são os da linha Estação Mussurunga – Hospital Roberto Santos, da Empresa Transol, e o Bairro da Paz – São Joaquim, da Empresa Rio Vermelho. O ônibus da Empresa Transol tem o intervalo de 30 a 40 minutos e o seu percurso envolve os bairros do Cabula, Paralela, Pernambués, Musssurunga e Narandiba. Já o do Bairro da Paz, que apesar de não ser tão lotado, tem o intervalo de 1 h e percorre o Cabula, Bairro da Paz, São Joaquim e Paralela. A estudante de jornalismo Pâmela Aguiar frisa que estas linhas não são o suficiente para atender o fluxo de passageiros destes bairros: “A quantidade de pessoas que pegam ônibus para a Paralela é muito grande e a tendência é aumentar, devido à presença de faculdades, colégios e o crescente comércio”.
Ultimamente o transporte já está chegando em Pernambués sem lugares desocupados. Ou seja, os passageiros estão pegando o ônibus ainda com o nome Hospital Roberto Santos, antes de fazer a volta e virar Estação Mussurunga. Como ressalta o estudante de publicidade Alceu Sá, da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC): “Muitos pessoas fazem isso, acordam mais cedo para garantir um lugar para sentar”. Um deles é o recepcionista Alan Noronha: “É muito mais vantajoso pegar o ônibus antes, vou sossegado e sentado”.
Reclamações
A telefonista Neilma Raquino, que mora em Pernambués e trabalha na Caixa Econômica do bairro Mussurunga, reivindica que o ônibus, além de estar sempre lotado, atrasa tanto na ida, quanto na volta do trabalho. Neilma conta que o ônibus enche tanto que os passageiros ficam pendurados na porta e que certa vez foi necessário a presença da polícia para obrigar as pessoas a descerem. Ela ainda declara que já fez várias denúncias: “Semana passada, eu esperei 1h15, e fui reclamar com o fiscal novamente. Ele até pediu a minha assinatura, endereço e o número da identidade e disse que estava recolhendo os dados das pessoas que reclamavam para enviar para a Empresa Transol”.
As dificuldades que tanto os passageiros, quanto os cobradores e motoristas enfrentam no transporte, desestimulam as esperanças de haver um aumento de ônibus na linha. A cobradora Sônia Maria Fiel, que tem 16 anos de trabalho na Transol, declarou que: “Eu passo um sufoco terrível com esse ônibus, antes era pior, por que eram somente dois transportes, agora são quatro. Hoje, que nem teve tanto movimento quanto o normal, foram resgistradas 130 pessoas em uma só viagem”. Para Sônia, a viagem do ônibus complica quando passa em Narandiba e a solução seria colocar um ônibus só para este bairro e outro que vá, somente, até o fim de linha de Pernambués e Cabula. O auxiliar de tráfego da Empresa Transol Cristóvão Sampaio explica que a empresa recebe inúmeras reclamações, mas só possibilidade de aumento da quantidade de transporte com ordem da prefeitura.
Não há perspectiva de aumento de ônibus em nenhuma linha, devido às empresas já estarem com as linhas prefixadas. O chefe da fiscalização dos transportes públicos da STP, Mário Lopes, afirma que para ter um aumento nas frotas de ônibus, seria necessário aumentar a tarifa, e isto não está nos planos da prefeitura, por causa do projeto direcionado para o metrô e a estação do acesso norte, que pretende suprir as carências dos transportes públicos. Segundo ele, a STP não recebeu nenhum abaixo-assinado em relação à linha Estação Mussurunga. “Se houver um alto índice de reclamação e a fiscalização comprovar que existe um elevado número de passageiros pagantes, podemos melhorar essa linha, através da implantação de microônibus, ou retirar um ônibus de uma linha com demanda menor e colocar nessa”, finalizou Mário.
Apesar de não possuírem nenhum projeto voltado para melhoria dos transportes públicos, a diretora da Administração Regional do Cabula (ARC), Jane Soares, salienta que estão disponíveis a qualquer reclamação. “O ideal é que nos entregue um abaixo-assinado, para que possamos enviar para a prefeitura”, explica Jane. Mas enquanto nenhuma medida é tomada e o metrô não se concretiza, os passageiros continuam com a luta diária de chegar aos seus destinos.
(junho de 2005)
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